Xico_Lopes É verdade. Muitos de nós, estamos pensando que a Aids já não é um problema tão sério, muitos pensam que o acesso gratuito ao coquetel de remédios está universalizado, muitos acham que não há mais necessidade do uso de preservativo, pois a doença está sob controle, outros tantos voltaram a compartilhar seringas. A todos estes desinformados eu trago este alerta de Médicos sem Fronteira. Não, a Aids continua matando, e muitos, e principalmente os mais pobres. Pensem nisto!

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu "urgentemente" profissionais de saúde para combater a Aids na África Subsaariana, diante da grande escassez de especialistas nessa região, que tem a maior incidência da doença no mundo.

A ONG fez o alerta em cerimônia, na Cidade do México, em sessão que antecedeu a abertura da 17ª Conferência Internacional sobre a Aids ("AIDS 2008"), que está acontecendo até o próximo dia 8 de agosto, sexta-feira.

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(imagem:  http://www.pime.org.br/)

No primeiro dia da XVII Conferência Internacional de Aids, Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou sobre o impacto desastroso que a falta de trabalhadores de saúde tem sobre o tratamento de Aids no sul da África.

Em um encontro via satélite denominado "Atenção às lacunas" e organizado por MSF na Cidade do México, onde ocorre o encontro, especialistas discutiram o problema e a necessidade urgente de fortalecer o compromisso dos governos e países doadores para que medidas concretas sejam tomadas para evitar a evasão dos profissionais de saúde e para apoiá-los.

"No distrito de Thyolo, no Malauí, uma enfermeira se encarrega de 400 pacientes, acompanhando seu tratamento, mas ganha para isso apenas US$ 3 por dia", conta Dr. Moses Massaquoi, coordenador médico de MSF no país. "É inaceitável que os governos e países doadores afirmem que é insustentável aumentar seus salários, apesar de ela ser responsável pelo equivalente a US$ 7.500 em medicamentos por mês para seus pacientes. Os que querem financiar os medicamentos devem encontrar uma solução para cobrir os custos recorrentes como salários".

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(imagem:  http://w3.ufsm.br/mundogeo)

Cerca de 70% das pessoas que vivem com HIV/Aids e precisam de terapia antiretroviral (TAR) ainda não estão recebendo os medicamenos e o crescente número dos que já deram início à terapia fizeram apenas aumentar o fardo dos trabalhadores de saúde.

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O vírus da Aids (imagem:  http://www.ioc.fiocruz.br/)

Eles têm pouquíssimo tempo para dedicar-se a realizar um tratamento adequado e a acompanhar seus vários pacientes, potencialmente resultando em uma baixa qualidade de tratamento e em muitas interrupções uma vez que os pacientes ficam desencorajados com as grandes filas de espera nos consultórios.

Uma estratégia de sucesso que tem sido realizada por MSF e outras organizações visa a utilizar as equipes de saúde já existentes, especialmente nas áreas rurais. Com o treinamento adequado e o apoio, enfermeiros e agentes de saúde podem alcançar mais pacientes, sem comprometer a qualidade e continuidade do tratamento de HIV/Aids.

Dados apresentados pela MSF na Conferência Internacional de Aids mostram que tal estratégia permitiu uma expansão mais rápida do tratamento com antiretrovirais no Malauí, Lesoto, África do Sul e Ruanda, sem perda da qualidade. No entanto, essa não é a solução para a falta de trabalhadores de saúde. Tal medida não pode substituir uma ação concreta para combater problemas fundamentais que estão minando o trabalho dos profissionais de saúde.

Salário baixos, péssimas condições de trabalho e falta de apoio e supervisão são apenas algumas das razões que fazem com que seja cada vez mais difícil para os trabalhadores de saúde permanecer e oferecer cuidados de saúde de qualidade. Iniciativas dos responsáveis pelas políticas de governo e países doadores para conter a "fuga de cérebros" para os países mais ricos a longo prazo não têm como resolver a crise atual.

As prioridades mais urgentes são manter os trabalhadores de saúde atuando nos hospitais e clínicas, assim como atrair outros profissonais. "É devastador observar as pessoas ficarem cada vez mais doentes, muitas vezes as ver morrer, à medida que eles esperam semanas e até meses para receber tratamento, simplesmente porque não há trabalhadores de saúde o suficiente", diz Dr. Mit Philips de MSF. "Sobrecarregados, mal pagos e desvalorizados, os trabalhadores de saúde no sul da África tornam-se cada vez mais escassos e o número de pacientes com HIV/Aids só está aumentando. Antiretrovirais podem estar mais disponíveis em clínicas e hospitais, mas sem os trabalhadores de saúde para administrá-los, essa lacuna mortal vai se tornar ainda maior".

A recente decisão do Fundo Global Contra a Aids, Tuberculose e Malária de permitir o financiamento para sistemas de saúde é um passo na direção certa. Os países devem direcionar seus fundos adicionais para reter e aumentar o número de trabalhadores de saúde diretamente envolvidos no tratamento dos pacientes. Os limites de salário e de gastos com força de trabalho por instituições nacionais e internacionais também devem ser aumentados ou o recrutamento de equipes de saúde e aumentos de salários vão continuar restritos, mesmo com financimento internacional adicional.

Médicos Sem Fronteiras oferece tratamento antiretroviral para 140 mil pacientes, incluindo 10 mil crianças, em 27 países.

Fonte: MSF

 

 

 

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