241] Empresa portuguesa desenvolve microalgas para alimentação de bacalhau em viveiro
Quando tomei conhecimento desta notícia, primeiro pensei no bacalhau. Que peixe gostoso, e a versatilidade. Quantas e deliciosas maneiras de se preparar um bacalhau. Nossos irmãos portugueses bem o sabem! Pois é de lá, da boa terra que vem esta notícia.
Eu na minha ignorância, achava que o bacalhau, por ser um peixe de águas frias e profundas, não pudesse ser criado em viveiros, mas pode sim, e creio ser esta uma alternativa interessante, assim, pelo menos aqui no Brasil, teríamos bacalhau o ano inteiro e não só no Natal e Semana Santa.
Bacalhau, com cabeça e tudo! (imagem: http://www.fisherycrisis.com/)
Dedicada sobretudo à extração de sal a empresa Necton, de Olhão no Algarve, sul de Portugal, tem na produção de microalgas para alimentação de peixes a sua “menina dos olhos”. E tem boas razões para isso, já que não só é uma das apenas 10 empresas do mundo que as produzem, como participa em experiências tão pioneiras como… a criação de bacalhau da Noruega em viveiro.
“Quando iniciamos esta produção, em 2001, só havia duas empresas a nível mundial a fazerem isto, nos EUA e Japão”, recorda João Navalho, 42 anos, gerente da Necton, que há uma década criou a empresa com base na tecnologia das microalgas, mas acabou por optar pelo sal tradicional.
Hoje, são 1.000 toneladas de sal marinho tradicional produzidas nas salinas de Belamandil, entre Faro e Olhão, que constituem o grosso do faturamento da empresa (90%), mas é na produção das microalgas que a empresa mais evolui, do ponto de vista tecnológico.
“Exportamos 70% da nossa produção de microalgas, para maternidades de peixes e oceanários de Espanha, França, Itália e Turquia, e vamos começar a exportar para a Noruega, onde estão sendo realizadas experiências muito bem sucedidas de criação de bacalhau em viveiros”, afirma.
A empresa fornece ainda para os dois criatórios de peixe de viveiro existentes em Poortugal - a Timar, em Tavira, e a Viveiro Vila Nova, em Vila Nova de Milfontes -, que no conjunto fornecem peixes para cerca de uma centena de aquiculturas de norte a sul de Portugal.
O projeto das microalgas é um dos 19 programas selecionados no Algarve no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para investimentos até 2013, com um investimento de 296 mil euros. Na base do projeto financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), está a ambição de criar um novo tipo de microalga, capaz de alimentar peixes após os 22 dias de vida, concorrendo diretamente com as rações, atualmente utilizadas.
Os técnicos da Necton produzem a microalga Dunaliella, um fitoplâncton utilizado para alimentar os peixes durante a sua formação, isto é, na sua fase larvar, entre zero e 22 dias de vida. “É uma produção muito difícil, porque o fitoplâncton, que é uma planta, tem que ser isolada do zooplâncton, que são animais que se alimentam dele. E é essa separaçãp que torna este fabrico tão complexo”, explica Vitória del Pino, 29 anos, engenheira química responsável pela produção. Para evitar a contaminação com zooplâncton, os técnicos da empresa adicionam sal à água que extraem da Ria Formosa, que deixa a Dunaliella incólume, mas eliminando o plâncton animal.
“Iniciamos a produção desta microalga em escala comercial em 2001, mas no início nos deparamos com alguma desconfiança dos criadores portugueses, que até aí produziam suas próprias algas, em piores condições, e receavam introduzir microalgas do exterior”, explica João Navalho, mas as dificuldades iniciais vêm sendo superadas, por um lado pela própria experiência dos clientes, por outro pela crescente necessidade de espaço para a instalação de tanques, uma vez que o crescimento da aquicultura tem sido exponencial. De fato, junto às salinas da Necton, à beira da Ria Formosa, a criação de microalgas ocupa algumas centenas de metros quadrados, pois elas são formadas em gigantescos painéis voltados para o sol, por onde corre água, em dezenas de “corredores” horizontais ao longo de cada painel.
Daquelas centenas de painéis saem todos os anos os 3.500 litros de microalgas verdes concentradas, uma tonelada de biomassa, que é expedida sob as formas líquida, seca e congelada, a preços em torno de 100 euros/litro que vão alimentar robalos, dourados, linguados e até bacalhaus produzidos em cativeiro nas aquiculturas de Portugal e vários países do mundo.
Mas, no segmento das microalgas, a Necton não quer ficar por aqui: já existem outros projetos, como a produção de algas para sequestrar dióxido de carbono - responsável pelo efeito de estufa - e posterior aproveitamento de óleos para a produção de biodiesel, revela João Navalho.
Fonte: Jornal do Algarve
Para vocês deixo uma deliciosa receita do famoso e tradicional "Bacalhau à Zé do Pipo". Bom apetite!
(imagem: Restaurante Fontanario, Matosinhos, Portugal)
E por que Zé do Pipo? De onde surgiu esse nome? Zé do Pipo foi um dos proprietários de um famoso restaurante do Porto, em Portugal, lugar onde criou essa receita diferente de bacalhau: postas do peixe que, depois de cobertas com maionese, são levadas ao forno para gratinar.
Ingredientes
1 kg de bacalhau em postas, 1 litro de leite, 2 cebolas médias picadas, 4 colheres (sopa) de azeite, 1 folha de louro, sal e pimenta do reino
Para a maionese
1 vidro de 500 g de maionese, suco de 1 limão, 2 colheres (sopa) de azeite, 1 colher (sopa) de orégano
Para o Purê de Batatas
1 kg de batatas cozidas e passadas no espremedor ½ xícara (chá) de leite ¼ de xícara (chá) de manteiga
Modo de fazer
Coloque o bacalhau de molho em água fria, com 1 xícara (chá) de leite. O suficiente para cobri-lo, com 24 h de antecedência. Troque de água umas 4 vezes. Leve ao fogo, numa panela alta, o bacalhau e o leite. Quando levantar fervura, cozinhe por uns 10 minutos, em fogo baixo com a panela semitampada. Escorra o bacalhau e reserve 1 xícara (chá) de leite. Retire as espinhas. Reserve. Frite a cebola no azeite, junto com o louro, tempere com sal (pouco) e pimenta do reino, até ficar transparente. Retire a folha de louro e reserve as cebolas.
Tempere a maionese
Use os ingredientes citados. Reserve.
Para o Purê
Misture bem a batata já cozida e espremida, o leite, a manteiga e sal à gosto e mexa bem num panela. Reserve.
Montagem do prato
Coloque os pedaços de bacalhau num refratário, espalhando por cima a cebola. Cubra com a maionese e contorne com o purê de Batata. Leve ao Forno pré-aquecido até dourar. Sirva imediatamente acompanhado com uma salada de folhas e arroz branco.
Dica: Na 1ª água do bacalhau, coloque 1 pitada de fermento em pó. A pele do bacalhau incha e se solta com mais facilidade.
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