072|Uma pequena história
Maio está chegando ao fim. Neste maio em que foram lembrados os 120 anos da abolição oficial da escravidão no Brasil, trazemos para a reflexão dos nossos leitores uma história pequena mas verídica, que nos mostra a estupidez, a indecência, a desumanidade do racismo, mas também mostra como podemos combatê-lo com atitude firme.
Isso aconteceu num vôo da British Airways entre Johannesburgo e Londres. Uma senhora branca, de uns cinqüenta anos, senta-se ao lado de um negro.
Visivelmente perturbada, ela chama a aeromoça: Qual é o problema, senhora? Pergunta a aeromoça: Mas você não está vendo? Responde a senhora.
Você me colocou do lado de um negro. Eu não consigo ficar do lado destes nojentos.
Me dê outro assento!
Por favor, acalme-se.
Diz a aeromoça.
Quase todos os lugares deste vôo estão tomados.
Mas vou ver se há algum lugar disponível.
A aeromoça se afasta e volta alguns minutos depois.
Minha senhora, como eu suspeitava, não há nenhum lugar vago na classe econômica.
Eu conversei com o comandante e ele me confirmou que não há mais lugar na executiva.
Entretanto ainda temos um assento na primeira classe.
Antes que a senhora pudesse fazer qualquer comentário, a aeromoça continuou:
É totalmente inusitado a companhia conceder um assento de primeira classe a alguém da classe econômica, mas, dadas as circunstâncias, o comandante considerou que seria escandaloso alguém ser obrigado a sentar-se ao lado de pessoa tão execrável.
E dirigindo-se ao negro, a aeromoça complementa:
Portanto, senhor, se for de sua vontade, pegue seus pertences que o assento da primeira classe está à sua espera.
E todos os passageiros ao redor que, chocados, acompanhavam a cena, levantaram-se e bateram palmas.
Essa história real é útil para pensar sobre o comportamento racista. Faço votos que ajude de alguma maneira as pessoas que têm preconceito seja ele qual for, que passem a olhar os seus semelhantes como seres humanos merecedores de todo respeito e consideração, independentemente da cor, da religião, da cultura ou classe social.
Fonte: Enviado por Maria Antonia para a Campanha Cultural: 120 ANOS DE ABOLIÇÃO
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