066|Sarkozy em Angola
A França, país de forte presença na África Ocidental, também quer o seu quinhão do que o crescimento econômico de Angola pode proporcionar. Daí a visita de Sarkozy ao “condestável” José Eduardo dos Santos.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, agradeceu em Luanda a contribuição dada pela comunidade francesa em Angola para que os dois países ultrapassassem os problemas da última década, que levou a um esfriamento nas relações bilaterais. Num encontro com cerca de quinhentos franceses, Sarkozy garantiu que se a partir de hoje existe um novo relacionamento entre os dois países, selado com a sua visita de escassas 12 horas a Luanda, “também se deve muito” aos franceses que trabalham em Angola.
“Não penso apenas no setor petrolífero, mas penso em todos os compatriotas que vieram corajosamente para este país trabalhar nos mais diversos setores, atravessando tempos difíceis nestes últimos anos de relações complicadas entre Paris e Luanda”, afirmou. As relações entre Angola e França foram afetadas na última década pelo escândalo “Angolagate”, cujos contornos começaram a ser desenhados nos anos 1990 com a venda de armas do Leste europeu para o governo de Luanda através de cidadãos franceses, incluindo aí, alguns ex-governantes.
“Se a França é um grande país com vocação universal, é também graças aos dois milhões de franceses que, como os que integram a comunidade francesa em Angola, vivem no exterior”, disse Sarkozy no encontro realizado no Largo das Escolas, onde se situa a Escola Francesa de Luanda. Nicolas Sarkozy garantiu que a França vai “continuar a trabalhar com confiança com os angolanos”. “O futuro deste país - Angola - é imenso e os angolanos e os franceses conhecem-se bem e a amizade é recíproca”, garantiu.
Sarkozy lembrou o encontro que manteve com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, em 2007, em Nova York, durante o qual recebeu o convite para se deslocar oficialmente a Angola, cumprindo agora, com esta visita, “um gesto de amizade”. “A França quer ser um parceiro importante de Angola e quer estar na primeira linha dos parceiros angolanos, porque estar na segunda linha será para mim largamente decepcionante”, destacou. Segundo ele, Angola dispõe de um “formidável potencial econômico e humano” e, por isso, “tudo pode conseguir e vai ser um gigante em África”. “Esta é a perspectiva das nossas empresas e dos nossos compatriotas”, salientou. Referindo-se ao relançamento das relações entre Paris e Luanda, que o presidente angolano considerou hoje terem entrado numa “nova era”, citou que “não se trata apenas de um contrato entre Angola e a França, mas sim de um enlace estratégico com múltiplas facetas”.
No encontro com a comunidade francesa, o mais forte aplauso foi para o anúncio de Sarkozy de que a freqüência na Escola Francesa de Luanda passa a ser gratuita e que o estabelecimento será ampliado com mais sete turmas.
“Na forma como Angola é importante na influência da África Central francófona, a necessidade de terem acesso à língua francesa através da Escola Francesa de Luanda é essencial e nós não podemos ficar alheios a essa realidade”, disse para justificar as medidas anunciadas.
Após o encontro, Nicolas Sarkozy reuniu-se à porta fechada com diretores das empresas francesas que operam em Angola, principalmente petrolíferas, e partiu em seguida para o almoço oficial com José Eduardo dos Santos.
Delegações dos dois países estiveram reunidas para, segundo o comunicado final, assinarem cinco instrumentos jurídicos de cooperação nos domínios do ensino superior, da língua francesa, saúde, águas, saneamento e educação.
Um dos protocolos assinados foi entre a petrolífera francesa Total e o Ministério da Educação angolano que compreende a construção de quatro escolas no país, embora não tenham sido anunciadas as localidades.
Fonte: Ag. Lusa
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