Xico Lopes Nosso amigo, colaborador, Marco Ferrari nos envia mais um dos seus artigos, que primam pelo gosto da polêmica. Neste, ele aborda o recente acontecimento da libertação da ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, sobre a qual publicamos anteriormente 140|Chega ao fim o pesadelo de Ingrid Betancourt. O Marco, desta feita, tece considerações, que divergem grandemente do que pensa o editor deste blog.

Quando ironiza o termo "narco-guerrilheiro" empregado pelo jornalista-apresentador Zeca Camargo (ou será o contrário?), que o Marco classificou de neologismo esdrúxulo. Não vou entrar na questão línguistica, pois este é um terreno em que o amigo Marco é um expert. Mas se o conheço bem, a implicância dele com o tal neologismo, tem a sua razão de ser mais às suas convicções políticas que propriamente com a correção do termo.

Aí lamento que meu amigo esteja enganado. As FARC são sim um grupo armado, que para subsistir recorrem ao comércio de drogas. Na verdade, há muito tempo elas deixaram de ser um grupo militar-político (nesta ordem) para se tornarem uma organização criminosa. O ideário político das FARC, quando existiu, era o mesmo dos grupos guerrilheiros que se aventuraram nesta América do Sul, muito voluntarismo, pouca consistência, e rala adesão popular. Quanto ao resgate de Ingrid Betancourt, forçoso é reconhecer que este episódio, atenuadas as emoções dos primeiros momentos pós-resgate, tem muito de obscuro, e que a versão oficial para o acontecido não parece ser merecedora de credibilidade.

O Olhar Global cumpre a sua missão de ser um espaço livre para que toda e qualquer opinião possa se expressar livremente, ainda mais quando expressa por um amigo já de longa data:

 

A fonte da juventude está mesmo na Colômbia!

marcoferrari1 Por Marco Ferrari (premionacionaldeliteratura@ig.com.br)

Durante a exibição do programa "Fantástico" foi expresso um espantoso neologismo, "Narco-guerrilheiros" (?) pelo apresentador Zeca Camargo que teve a ousadia de o repetir por tres vezes.

Tal disparate sem pé nem cabeça dito por um jornalista formado de sua qualidade, naturalmente que o fazia porta-voz de alguma intenção encomendada até porque, se desatendemos a raiz etimológica (?) da palavra composta (?) e a encaixamos no que adivinhemos pretendeu dizer, “essas-forças–armadas-revolucionárias-são-na-realidade- guerrilheiros-narcotraficantes” manifestado com a finalidade de animosidade e deprecio, o erige num árbitro sem nenhuma habilitação e em juiz sem direito a toga nenhuma, pois, a mesma ductilidade e atrevimento de liberdade democrática de expressão não lhe é facultado a ele nem a ninguém dessa mesma emissora fazê-lo contra o Primeiro Comando da Capital, chamando-o de PCC, como o fazem absolutamente todos os veículos de comunicação do Brasil. “Pior: O grupo de tais malfeitores é chamado respeitosamente de “Organização” que age no interior dos presídios”. E em quanto o Zeca não venha a explicá-lo por ele, advogado ou professor de português, o único que fica como realmente válido é o absoluto mutismo de emissor e emissora sobre o que informaram todas, absolutamente todas as outras rádios e canais de televisão do mundo: O “resgate” dos reféns das Farcs foi uma autêntica fraude. Um simulacro de resgate que ninguém viu nem presenciou. …

Desde a mais importante rádio oficial da Suíça, a Radio Romanda (RSR) e todas as destacadas da Europa, Canadá, Estados Unidos e da América transmitiu-se que, o “resgate” dos reféns da selva colombiana foi uma jogada de marketing do governo do presidente Uribe como simpática tentativa de apoio a um plebiscito para permitir-lhe uma terceira reeleição à presidência.

Em efeito: Todos os jornais e programas de rádio e televisão do planeta informaram ao uníssono que, o governo colombiano havia pago ao Estado Maior das FARC 20 milhões de dólares pelo “resgate” dos reféns.

Mais uma vez (como no caso Nardoni) a Rede Globo toma mais do que partido por uma das partes envolvidas posição indulgente e de tendenciosidade, como quando permitiu infinitos depoimentos em favor dos assassinos presos, sobre tudo pelo seu advogado que já ninguém agüentava mais ouvir. Ao assim autorizá-lo, facultou à sociedade menos avisada nos meandros jurídicos a algum tipo de repúdio (in)consciente contra a polícia, o promotor, o Instituto Médico Legal e de Ciências Criminais, os das testemunhas e, sobretudo o do juiz e dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, levados ao enxovalho e o descrédito, servindo-lhe um “dar a entender” de que, a prisão e sua corroboração unânime pelo TJSP transitaram caminhos de conspiração ou de nefanda precipitação de juízo contra dois inocentes. Tal omissão é gravíssima por inúmeros motivos. Ao cercear a notícia, a “soltou” incompleta, inconclusa, truncada e infidedigna servindo a um propósito que não deu a conhecer. Ou, pelo contrário, todas as emissoras e mídia do mundo mentiram menos à que ele representa.

Nesse caso, parabéns pelo “furo” às avessas!

As terras conhecidas não bastam aos homens; sempre se projetam os anelos de fantasia e de aventura ou as ilusões de felicidade em territórios longínquos, misteriosos, iluminados por sóis remotos e povoados de coisas prodigiosas: Ilhas do tesouro, Atlântidas e El Dorados, as grotas dos dragões, os jardins das Mil e uma Noites e os inalcançáveis planetas da ciência-ficção nos dão notícias da inquietude humana.

Alguns destes maravilhosos lugares servem ao ensino da política e a moral; outros são vôos livres da imaginação ou refletem os impulsos profundos dos sonhadores. Tomas Campanella e Tomas Morus descrevem nas suas utopias cidades perfeitas, modelos de convivência que denunciam os vícios de suas próprias sociedades.

A Cidade do Sol de Campanella revela em seu traçado de sete círculos enormes a perfeição ideal e mágica. Em quase todos estes lugares encontramos o rasgo comum da lonjura e da inacessibilidade. Alcançá-los supõe uma viagem de iniciação no qual amiúde há que salvar a barreira de um labirinto.

Algumas vezes seus cronistas dão por perdida a terra mítica, como a Atlântida que descreve Platão no diálogo “Critias”. A fascinação pelo maravilhoso povoa os livros de cavaleiros, com seus castelos e florestas, os mesmos que Dom Quixote translada com suas loucuras às lhanuras manchegas onde na realidade só há vendas e apriscos.

No Novo Mundo da América se produz a oportunidade de colocar alguns dos espaços acolhedores de mitos e maravilhas do Antigo Mundo. Ali estará à terra das Amazonas, a fabulosa cidade de El Dorado com a fonte da eterna juventude. Conquistadores destemidos, exploradores e aventureiros buscaram incansavelmente El Dorado em toda a América do Sul e fundamentalmente na região que hoje é a Colômbia. No desespero por alcançar essa fabulosa cidade de ouro e das águas da eterna juventude realizaram esforços tão colossais como vãos. O sortilégio do ouro e a presunção de que era muito fácil obtê-lo encandeavam àqueles que ouviam as notícias que cruzavam do Novo ao Velho Mundo. Muitas se referiam a feitios reais como o saqueio dos maiores impérios da América pré-colombina (ou pré-colombiana) o asteca, o maia e o inca.

Entre essas histórias maravilhosas, entre a tradição e a fantasia, brilhava com singular fulgor uma verdadeira, que era a correspondente a cerimônia de entronização dos chefes entre os índios chibchas no norte da Colômbia, onde, cada vez que um novo cacique se consagrava ao Sol o despiam totalmente, untavam seu corpo com resina e lama e o cobriam dos pés a cabeça com um fino pó de ouro puro. Assim engalanado, subia a uma balsa carregada de jade, esmeraldas e diamantes que eram jogadas no centro do lago Guatavita, onde se banhava o cacique para entregar aos deuses o ouro que o cobria. O cacique começava a ser reverenciado como o Deus máximo na terra.

O nome de El Dorado é atribuído a Sebastián Belalcázar, conquistador da Nicarágua, fundador de Quito (hoje a capital do Equador) e Cali na Colômbia. Fascinado pelas narrativas marchou até a meseta de Cundinamarca (hoje Colômbia) onde em 1539 se encontrou com outras duas expedições:os de Gonzalo Jimenez de Quesada e dos do alemão Nicolas de Federmann que haviam ido parar no mesmo lugar sem saber nada os uns dos outros levando uma surpresa maiúscula.

Em 1541, Gonzalo Pizarro, com cinco mil homens, quatro mil lhamas, dois mil porcos, novecentos cachorros de caça e duzentos e cinqüenta cavalos partiu desde Quito na procura de canela e ouro. Orellana se adiantou do grupo seguindo o curso do rio Napo, e aí lhe apareceu uma gigantesca corrente de água de tal magnitude que o deixou paralisado de estupor. Havia descoberto o rio mais caudaloso do planeta e o batizou de rio das Amazonas.

Atraído por estas notícias, em 1595 excursionou pela região Walter Raleigh, favorito da rainha Isabel I da Inglaterra. Combatido pelos espanhóis e derrotado, foi executado em 1618. A busca de El Dorado não acabou com a conquista da América.

No século XX apareceram mais aventureiros que trataram de chegar às terras onde “o reflexo do ouro opaca a luz do sol”. O último foi o inglês Percy Fawcett; acompanhado por seu filho percorreu o Mato Grosso até que, no lugar de fortuna achou a morte. Antes, desde 1921, o piloto estadunidense James Ángel buscou ouro nas terras altas da Venezuela na fronteira com a Colômbia e assegurou haver visto a cidade de El Dorado num dos seus vôos. Em 1935 descobriu a cachoeira mais alta do mundo (o salto Ángel), de mil metros de altura.

AFP
Genebra
Publicado: 04/07/2008 09h00min
“Os reféns foram comprados, trás o qual a operação foi posta em cena”. Radio Romanda. “Nos últimos anos, a Suíça foi encomendada junto à Espanha e França pelo presidente colombiano Alvaro Uribe para levar adiante uma missão de mediação com as FARC”.

 
De fato, houve uma estranhíssima sincronia entre a visita do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos e a libertação esse mesmo dia de Ingrid Betancourt e os três reféns americanos logo de mais de seis anos de negociações emperradas. Também, resultou curiosíssimo de mais o fato de que, durante o “resgate”, não foi disparado nem um só tiro, quando, em operações similares anteriores o chão sempre ficou coberto de sangue e cadáveres de membros da FARC e do exército.

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ANTES E DEPOIS…
(Ingrid quer ser presidente da Colômbia. Foi a primeira coisa que disse, após as emoções dos encontros e reencontros). Claro, apoiada por forças francesas, americanas….

Para concluir:

Observemos atentamente as fotos superiores da senhora Ingrid Betancourt. A primeira delas nos mostra uma mulher abatida, “com hepatite, doenças tropicais, disenteria crônica à beira da morte”. Não é necessário ser médico nem enfermeiro para concluir que, a evolução de tais patologias sem um tratamento hospitalar imediato conduzirá esta pessoa a um desenlace fatal. Pois bem: Passados trinta dias nesta ante-sala da morte, a doente reaparece das “péssimas condições de tratamento infra-humano” não só bem distanciada do óbito aguardado, senão de sorriso aberto com os dentes perfeitos (?) com a cútis da pele suave sem nenhuma ruga, parecendo não só mais bonita de quando foi seqüestrada senão aparentando 20 anos a menos. Sem falar na disposição que a fez percorrer auditórios, viajar a França e conveniar seu futuro político durante três dias consecutivos, bebendo, comendo e dançando sem aparentar o menor cansaço.

A Fonte da Juventude está mesmo na selva da Colômbia!

Fonte: Publicado também no site Mhário Lincoln do Brasil 

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