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O Festival de Cannes conta este ano com a presença de muitos cineastas americanos, liderados por nomes como Woody Allen, Clint Eastwood e Steven Spielberg.

O evento recebe estrelas como Angelina Jolie, Robert de Niro, Bruce Willis e Sean Penn. Além de Hollywood, também é notável a parcela que o cinema nacional francês tem neste festival internacional.

Em ambos os casos, no entanto, houve uma redução em relação a edições anteriores, dentro da competição pelo menos, já que de quatro filmes franceses e quatro americanos, como era de costume, passaram para três. Quem se beneficiou foi o cinema latino-americano, mais presente do que nunca na competição, com quatro filmes na disputa pela Palma de Ouro.

O Leste Europeu também ganhou destaque e o padrinho da 6º Jornada da Europa em Cannes, no próximo dia 19, o romeno Christian Mungiu, ganhou a Palma de Ouro no ano passado em Cannes.

Da Europa, estão em Cannes nomes como Philippe Garrel, Matteo Garrone e Paolo Sorrentino, mas com ausências notáveis como a de Pedro Almodóvar. Além dele, Wim Wenders e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, novamente em busca da Palma de Ouro, também não estarão presentes.

O Brasil marca presença no 61º Festival de Cannes com “Linha de Passe”, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Fernando Meirelles, e “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele.

Os trabalhos dos já consagrados Walter Salles e Fernando Meirelles participam da competição que tem como prêmio a Palma de Ouro, enquanto “A Festa da Menina Morta” será exibida na mostra “Um Certo Olhar”.

Fonte: MARÍA LUISA GASPAR da Efe para a Folha Online

Crítica dividida sobre filme de Meirelles

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Fernando Meirelles (centro) posa com Don McKellar, Alice Braga, Julianne Moore e Gael Garcia Bernal

(foto: Lionel Cironneau/AP)

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles disse que se preparou “para a colisão” quando seu novo filme, “Ensaio sobre a Cegueira”, foi convidado a abrir o 61º Festival de Cannes, o que ocorreu anteontem. O choque que Meirelles aguardava não tardou. Críticos de vários países reagiram ao longa “Ensaio sobre a Cegueira” com opiniões opostas e enfáticas, em textos publicados ontem.

O crítico do jornal britânico “The Guardian” Peter Bradshaw afirmou em seu texto que “Ensaio sobre a Cegueira” é um drama “com imagens soberbas, alucinantes de colapso urbano. Tem, em seu centro, uma verdadeira espiral de horror, ainda assim, é iluminado com delicadeza e humor. É cinema corajoso, magistral”. No diário norte-americano “Los Angeles Times”, Kenneth Turan também aprovou o filme. “Na verdade, só um diretor com a particular combinação de talentos de Meirelles poderia ter levado com êxito à tela a mistura de desespero e esperança do livro [homônimo de José Saramago]“, escreveu.

A revista “Hollywood Reporter”, embora faça ressalvas a aspectos do filme, em resenha assinada pelo crítico Kirk Honeycutt, diz que “na adaptação do livro de Saramago para a tela, o diretor brasileiro teve um extraordinário plano visual e consideráveis desafios cinematográficos a vencer. Portanto, há muita coisa aqui [no filme] para acelerar a pulsação e envolver a mente”. Honeycutt conclui que “”Ensaio sobre a Cegueira” é cinema provocador, mas também previsível: choca, mas não surpreende”.

Sentimentalismo

Entre os que rechaçaram “Ensaio sobre a Cegueira” está a revista inglesa “Screen”. Avaliando o filme como regular, Fionnuala Halligan diz que “Meirelles parece lutar para encontrar um tom, e “Ensaio sobre a Cegueira” fatalmente perde tensão antes da escalada para um bizarro sentimentalismo no ato final”. Ao criticar o filme na publicação americana “Variety”, Justin Chang viu “impacto minimizado e excesso estilístico” no retrato do “caos pessoal e coletivo que resultaria se a humanidade perdesse o sentido da visão” e avaliou que o filme “raramente atinge a força visceral da prosa de Saramago”.

Dominique Borde, do diário francês “Le Figaro”, diz que o filme “prometia uma reflexão antes de se estragar numa metáfora de autodestruição”. O diário francês “Libération” classificou “Ensaio sobre a Cegueira” como “decepcionante” e publicou uma dura crítica, de Olivier Séguret, ao filme. “O charme teórico da ambição anunciada nos primeiros minutos de “Ensaio sobre a Cegueira” se volta rapidamente contra o filme, como se Meirelles só tivesse colocado o bastão tão alto para estar certo de que passaria por baixo dele”, afirma o texto.

Na introdução de sua cobertura do primeiro dia do festival, o “Libération” observa que “a maioria dos produtores e cineastas não gostam nada da situação de abrir o festival”. O incômodo, segue o texto, é com “a primeira projeção para a imprensa, julgada de alto risco. Os jornalistas chegam à Croisette com a faca entre os dentes e o filme de abertura é o alvo dessa agressividade”.

Fonte: SILVANA ARANTES da Folha de S.Paulo

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