209|A cidade mais cara do mundo

Xico Lopes on 29/07/2008

Xico_Lopes

Não é Londres, ou Tóquio, mas Moscou. De acordo com os dados apresentados pela Vivian Oswald em seu blog "Com vista para o Kremlim", é a cidade mais cara do mundo.

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(imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Russie_-_Moscou_-_place_rouge_saint_basile_2.jpg) 

Para quem vive em Moscou, a conclusão do estudo da empresa de consultoria inglesa Mercer está longe de ser uma surpresa: a capital russa acaba de ser considerada a cidade mais cara do mundo pelo terceiro ano consecutivo, deixando para trás Tóquio, Londres e Oslo (veja gráfico abaixo).

O custo de vida para os expatriados aqui é cerca de 40% mais alto do que em Nova York, por exemplo, que já não é propriamente um lugar barato. A pesquisa contabiliza valores de aluguéis, alimentos, roupas, transportes e entretenimento.

A receita de Moscou para manter o primeiro lugar neste ranking de duvidoso mérito é muito simples. Junte-se a uma taxa de inflação de dois dígitos a contínua valorização do rublo em relação ao dólar. O forte crescimento da economia, de 7% ao ano (mantido há uma década), movido a muitos bilhões de rublos obtidos com receitas de petróleo e gás, serve de combustível para aquecer esta combinação explosiva e ferver ainda mais a especulação imobiliária na cidade que tem um dos metros quadrados mais caros do mundo.

Os funcionários de grandes multinacionais, que continuam desembarcando na capital russa freneticamente, são os queridinhos dos agentes de imóveis moscovitas. Eles não parecem se preocupar muito em pagar o que pedem os proprietários de casas e apartamentos na cidade. Estes, por sua vez, adotam uma estratégia capitalista, no mínimo, bizarra. Determinam um valor completamente tresloucado para o aluguel do imóvel e esperam para ver se cola. Não costumam aceitar barganhas e inventam ter outros concorrentes no páreo para assustar o futuro inquilino. E ainda tentam empurrar contratos de apenas um ano, com mil gatilhos de reajuste, fixados em euros - moeda que resolveram adotar como referência neste momento de vacas magras para o dólar.

O resultado, algumas vezes, é o velho “quem tudo quer tudo perde”. Há apartamentos fechados há mais de um ano. Mas isso não parece ser um problema para quem investiu alguns milhões de dólares em uns tantos metros no centro de Moscou. Parte destas pessoas prefere manter os imóveis alugados no centro e vai morar com a família em lugares afastados e, por isso, maiores e mais baratos.

Conheço o caso mais modesto do tradutor que comprou um kommunalka – na verdade, um quarto dentro de um apartamento comunitário – de exíguos nove metros quadrados pelo qual pagou US$ 50 mil bem no centro de Moscou. Enquanto o imóvel está alugado, mora com a família em uma casa de 25 metros quadrados fora de Moscou.

É claro que existem custos de vida e custos de vida. Há muitos estrangeiros que vêm para a Rússia querendo transportar para cá o mesmo tipo de vida que tinham em seus países de origem. Ou seja, buscam produtos que aqui são importados e acabam pagando caro.

Os restaurantes também não ajudam. Qualquer refeição em Moscou pode sair por uma pequena fortuna. Os vinhos têm preços proibitivos e hoje são consumidos por novos-ricos e expatriados. O russo médio tradicionalmente prefere a vodka. Em um bom restaurante, a garrafa mais barata de um vinho de qualidade duvidosa pode sair a US$ 100. Dois cafés e uma garrafinha de água mineral, no centro da cidade, podem custar US$ 15.

É verdade que se pode levar uma vida mais comedida. Fazer compras onde os russos compram, nos hipermercados fora da cidade, é uma alternativa. A medida que se sai do miolo de Moscou, os preços caem. Mas ainda assim são altos e motivo de muito choro e ranger de dentes. Recentes pesquisas de opinião no país mostram que a maior preocupação do russo neste momento são os preços ao consumidor.

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Fonte: Vivian Oswald do blog Com vista para o Kremlim

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