192|Pesquisadores portugueses desenvolvem transistor de papel
Certamente é uma inovação que deverá abrir um imenso leque de novas aplicações e possibilitar a redução de custos na fabricação de muitos equipamentos eletrônicos.
(imagem: Cenimat/I3N/Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa)
Cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa desenvolveram os primeiros transistores com o uso de papel, uma descoberta que pode permitir a criação de sistemas eletrônicos descartáveis a baixo custo.
“O transistor é como uma peça de ‘lego’, a partir dela, dá para construir qualquer coisa”, explicou Elvira Fortunato, que juntamente com Rodrigo Martins, são os coordenadores do grupo de pesquisa Cenimat/I3N, responsável pela descoberta. Os transistores nasceram no final dos anos 40 e substituíram as válvulas utilizadas nos computadores e nas redes telefônicas. Tiveram o condão de reduzir o tamanho dos equipamentos, aumentar a velocidade e a durabilidade. Hoje, qualquer aparelho com um circuito integrado contém estes “interruptores” eletrônicos.
O “interruptor” é formado por três componentes. Um material semicondutor que tem uma entrada e uma saída, chamadas fonte e dreno, por onde passa a corrente e uma porta que é o que induz e controla a corrente, mas que está separada do semicondutor por um material isolante, impedindo curto-circuitos. É esta porta que “liga” e “desliga” o transistor e que equivale ao sistema binário 0/1 em que toda a informação está codificada. É assim que os computadores, as telas dos monitores, os telefones, funcionam.
O material isolante, que é o componente dielétrico do transístor, feito de vários materiais como o silício. As unidades construídas a 1.200 graus centígrados.
Agora, os pesquisadores conseguiram o fabrico à temperatura ambiente, utilizando papel que é um “dois em um” porque também funciona como o suporte do transístor. A celulose tem outras propriedades e não é tão boa como o silício. “Mas pode-se fazer sistemas descartáveis a baixo custo”, explicou Elvira Fortunato. E mais, pode ser dobrado que não se estraga. Estas características permitem explorar várias idéias como telas de papel, etiquetas, pacotes inteligentes, chips de identificação ou aplicações médicas. “Pode utilizar-se nos sensores biológicos para diagnóstico [na saúde]. Muitos sensores são de papel, funcionam através de uma reação química, com o transistor pode haver uma mais-valia”, exemplificou a investigadora.
O artigo com a descoberta já foi aceito pela revista científica “Electron Device Letters” e vai ser publicado em setembro. O pedido de patente também está feito.
Fonte: Nicolau Ferreira para o Público.pt
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