177|Começou a 25ª Feira Internacional de Luanda - FILDA 2008
Começou o mais importante evento de negócios de Angola, já é a 25ª edição, e o Brasil lá estará representado. É uma boa oportunidade para os empresários brasileiros buscarem a ampliação do intercâmbio comercial com Angola e outros países da África ocidental, a exemplo de Portugal que já o vem fazendo há algum tempo com êxito crescente.
Mais espaço para os expositores e mais fluidez nos acessos foram as principais mudanças operadas na 25ª edição da Feira Internacional de Luanda que começou nesta segunda-feira(13). Cerca de 550 empresas, divididas em seis pavilhões, afluíram à maior bolsa de negócios de Angola.
São 26 mil metros quadrados, envolvendo cinco pavilhões cobertos e os espaços adjacentes ao recinto da FIL, disponíveis para a realização da Maior Bolsa de Negócios de Angola. Produtos de última geração nas áreas de construção, automação industrial e telecomunicações destacam-se no evento, que termina domingo.
Expositores de 26 países expõem os seus produtos, na busca de oportunidades de negócios. Os principais destaques vão para Cuba, Portugal, Brasil, Alemanha, Espanha, África do Sul, Namíbia, Ghana, Alemanha, Uruguai, França, China e Países Baixos. Vários ramos de atividade se destacam na feira, sobretudo nos setores da construção civil, tecnologias de informação, bancário, indústria leve e pesada, bebidas, alimentação, energia e gás, maquinarias, automóveis, seguros, imobiliário, vestuário e calçados.
Há igualmente um pavilhão dedicado à energia e ao petróleo, onde pontificam companhias como Sonangol, Esso, StatoilHydro, BP Angola, entre outras. Este ano, o evento traz como inovação a entrada gratuita a estudantes do ensino médio e universitário, desde que devidamente identificados.
À semelhança das edições anteriores, de acordo com a organização, a Filda constitui a principal atração para investidores estrangeiros interessados em aplicar o seu dinheiro no mercado angolano, por ser um espaço privilegiado para contatos de negócios entre empreendedores.
No momento em que a temática principal do evento tem a ver com a recuperação da infra-estrutura em Angola, a FILDA apresenta-se, este ano, mais consolidada, segundo Job Jeremias, gerente da Terex, empresa do grupo Metro Europa, que participa da Feira pela primeira vez.
Todos os anos, o evento cresce e se estrutura, permitindo a distribuição de amostras e pode, sob qualquer aspecto, abrir e prospectar mercados para muitos países da África Austral. Watanha Silva, da Tecnoteam, prevê que a Filda decorra com sucesso. Na sua opinião, a edição deste ano foi muito bem projetada, na medida em que há um maior espaço, o que permite uma fluidez no movimento. Já o sócio-gerente da Fast and Easy, Cláudio Marques vê na feira uma oportunidade única para expor os seus produtos, já que pretende instalar-se no país.
Bancos asseguram transações
A Filda apresenta, este ano, uma série de serviços, desde os bancários até aos seguros. O Banco de Fomento Angola (BFA), o Banco BIC, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco de Comércio e Indústria (BCI) vão prestar os seus serviços normais, além de exporem os seus produtos.
O BCI conta ainda com os serviços do envio e recepção de dinheiro da agência Western Union. Ao longo dos cinco dias, a feira contará com três terminais de Multicaixa funcionais. Os expositores podem ainda contar com os serviços de um Business Center, uma sala de reuniões, sala de conferências, entre outros serviços. As operadoras de telefonia móvel Movicel e Unitel têm os seus stands na feira, com serviços de Internet em banda larga. A Movicel realizará um concurso diário de mensagens românticas, onde será possível efectuar trocas de mensagens designadas por Cupido.
A Terex, do grupo Metro Europa, expõe com dois stands (um no interior e outro no exterior). A empresa representa equipamentos tanto de construção civil quanto de mineração. Na construção civil, cobre toda a gama de equpamentos, desde retro-escavadoras, escavadoras hidráulicas e torres de iluminação. A principal novidade é a usina de produção de asfalto. Pretendemos com esta exposição ganhar espaço no mercado angolano. A Terex tem produtos de extrema credibilidade”, disse. Na sua terceira participação, a Tecnoteam expõe equipamentos e máquinas para fabricação de artefatos de cimento, como blocos e máquinas para trabalhar a madeira. Com cinco anos de mercado, a Fast and Easy, que é uma das 102 empresas do pavilhão de Portugal, trabalha em áreas variadíssimas, como a indústria alimentar, química, tratamentos de água, águas residuais. Também expõe sistemas remotos onde pontificam o GPRS para comunicar em pontos diferentes.
Atrasos não atrapalham abertura
Até a hora da abertura da 25ª edição da FILDA algumas empresas ainda davam os últimos retoques em seus stands. Mas isso não atrapalhou o início da exposição.
Para marcar as suas bodas de prata, a organização vai promover igualmente vários eventos, em que se destaca uma solenidade para homenagear empresas e personalidades que contribuíram para a realização das 25 edições da feira. No mesmo âmbito, a organização reduziu o preço dos ingressos ao equivalente a cinco dólares. Estes valores são cobrados apenas durante o período da tarde, quando a Feira está aberta aos visitantes. Já no período da manhã, os ingressos estão a um preço equivalente a 20 dólares. O acesso aos estudantes do ensino médio e universitário é grátis.
Portugal participa com 102 empresas. "A participação de Portugal na Filda, conta com a maior representação internacional no mais importante evento econômico que se realiza neste país" da África subsaariana, disse fonte oficial da Agência para o Investimento, Comércio e Exportação de Portugal (AICEP).
Organizado pela AICEP Portugal Global, o pavilhão de Portugal ocupa uma área de três mil m². "Angola tem sido um dos principais mercados para as exportações portuguesas nos últimos anos", adiantou a mesma fonte. Segundo a AICEP, o dinamismo da economia angolana representa grandes oportunidades de negócios para as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas, principalmente na reconstrução de infra-estrutura pública nos setores de energia, telecomunicações, ferroviário e rodoviário, construção civil e obras públicas, setor imobiliário, saneamento básico e materiais de construção. Na área dos produtos alimentares, do mobiliário, medicamentos, logística e serviços de consultoria há "grandes oportunidades de negócio" e de parcerias com empresas angolanas.
EVOLUÇÃO
As vendas de produtos portugueses para o mercado angolano cresceram de 503 milhões de euros em 2001 para 1,68 bilhão de euros em 2007. Angola era o nono mercado para as exportações portuguesas em 2006 e pulou para a sexta colocação em 2007.
"Este ano já é o mercado mais importante fora da União Europeia e o quinto mercado mais representativo para as exportações portuguesas depois da Espanha, Alemanha, França e do Reino Unido", destacou.
Na edição da Filda deste ano, o Pavilhão de Portugal está organizado em seis áreas temáticas: "CURAR" - Saúde, Ciências da Vida, Equipamento Hospitalar com cinco empresas expositoras; "VIVER" - Agro-Alimentar, Habitat, Vestuário com 33 empresas; "CONSTRUIR" - Equipamentos e Materiais de Construção com 13 empresas expositoras e "MOVER" - Material Eléctrico e Electrónico, Máquinas, Equipamentos e Ferramentas, Acessórios Automóvel, Transportes, Transitários com 27 empresas expositoras. As restantes áreas temáticas são a "COMUNICAR" - Tecnologias de Informação e Comunicação, Indústria do Papel, Setor Editorial e Escolar com 15 empresas expositoras e "DESENVOLVER" - Serviços, Turismo, Transportes, com nove empresas expositoras. Na área "INSTITUCIONAL" estarão os stands da AICEP e da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola. Sob o lema Portugal em Foco – o dia de Portugal vai ser comemorado na quinta-feira, sendo marcado pela visita do primeiro-ministro, José Sócrates.
Futuras instalações da FILDA serão as mais modernas da África
As futuras instalações da Feira Internacional de Luanda (FILDA) poderão ser uma das mais modernas de África, segundo o presidente do Conselho de Administração, Matos Cardoso,
que falou durante a abertura da 25.ª edição da Feira Internacional de Luanda. Matos Cardoso disse ainda que o objetivo é fazer do local o mais atrativo possível, fazendo com que os expositores e visitantes possam sentir-se melhor. “Após 25 anos ainda não fizemos o melhor, mas esperamos dentro de poucos anos podermos ter um espaço maior e realizarmos um evento de grande dimensão”.
Aliás, as futuras instalações da Feira Internacional de Luanda (Filda) ocuparão uma área de 300 hectares, dez vezes o atual recinto que possui cerca de 30 mil hectares. O empreendimento, a ser erguido no Pólo Industrial de Viana, contará com dois hotéis, com capacidade para 200 quartos, edifícios de escritórios, áreas de lazer, dez pavilhões, onde cada um terá dez mil m² para exposição. Neste momento, está em curso o estudo de viabilidade para que se elabore o referido projeto.
Fonte: João Dias e Graciete Mayer para o Jornal de Angola
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