145|São Tomé é a nossa humanidade incrédula
São Tomé ficou conhecido por ser uma pessoa cética, mas na sua incredulidade ele apenas foi como a humanidade é. O que o faz especial, é que São Tomé arrependeu-se, e quantos de nós, mesmo vendo as maravilhas de Deus e a Verdade de sua palavra, ainda assim, continuamos trilhando o caminho do erro.
A incredulidade de São Tomé - Caravaggio, (1601-1602)
Tomé, cognominado Dídimo, isto é, gêmeo, era natural da Galiléia e, como alguns outros apóstolos, pobre pescador. Escolhido pelo Divino Mestre e por ele admitido no Colégio dos doze Apóstolos, Tomé sempre se manifestou discípulo e amigo de Jesus Cristo. Na ocasião em que este recebeu o recado das irmãs de Lázaro: "Senhor, quem amais, está doente" e Jesus disse aos apóstolos: "Vamos à Judéia", - resolução a que estes se opuseram, pelo perigo que havia de Jesus ser apedrejado pelos judeus, foi Tomé quem disse; "Vamos com ele para com ele morrermos".
Na última ceia falou Jesus da sua ida ao Pai, das muitas moradas no céu e da intenção que tinha de preparar lá um lugar para os Apóstolos; “quando eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo para que estejais onde estou. Para onde eu vou, vós o sabeis, como também sabeis o caminho”. Tomé respondeu:“Senhor, não sabemos para onde quereis ir e como é que podemos saber o caminho?” Jesus, porém, disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai a não ser por mim”(Jo 14).
Apesar de Tomé ter-se prontificado a morrer com o Mestre, a prisão e crucificação do mesmo desanimaram-no tanto, que não quis mais acreditar na Ressurreição, apesar dos outros Apóstolos, radiantes e jubilosos, lhe terem asseverado que o Mestre tinha ressurgido dos mortos. Tomé não lhes pôs em dúvida a sinceridade, mas supunha que os companheiros talvez tivessem precipitadamente dado crédito a informações insuficientemente comprovadas, ou tivessem sido vítimas de uma mistificação diabólica. Daí a declaração peremptória:“Enquanto eu não lhe vir nas mãos o sinal dos cravos; enquanto eu não lhe puser meus dedos nas chagas e minha mão no lado, não creio".
Passados oito dias, Jesus satisfez a exigência do Apóstolo, convidando-o a que pusesse os dedos nas chagas das mãos, e chegasse perto, para pôr a mão na chaga do lado e que desse crédito à sua Ressurreição verdadeira. Diante deste fato, vendo-se na presença de quem reconhecia como Mestre, Tomé não persistiu na incredulidade e, prostrando-se diante de Jesus, profundamente o adorou e disse:“Meu Senhor e meu Deus!" Jesus fê-lo levantar-se e disse-lhe com bondade: “Por me teres visto acreditastes, Tomé, bem-aventurados aqueles que, embora não vejam, acreditam”.
Sobre este episódio escreve São Gregório Magno:
"A incredulidade de Tomé e a ordem que este Apóstolo de Jesus recebeu, de tocar-lhe nas chagas, não foi um acaso, mas alto desígnio de Deus. O discípulo que, duvidando da Ressurreição do mestre, pôs as mãos nas chagas do mesmo, curou com isto a ferida da incredulidade da nossa alma. A incredulidade de Tomé foi para nós vantagem maior que a fé dos demais Apóstolos; porque, tornando-se crédulo, pelo contato das chagas, consolidou a nossa fé, banindo qualquer dúvida"
Santo Agostinho diz, a respeito da mesma questão:
"Tomé, homem santo, justo e leal, exigiu tudo isso, não porque duvidasse, mas para excluir qualquer superficialidade. Era-lhe bastante ver aquele que conhecia; mas para nós era necessário que tocasse naquele que via, para que ninguém pudesse dizer que os olhos o enganaram, quando não era possível as mãos o enganarem".
Na missão dos Apóstolos coube a Tomé a terra dos Partas, povo que ocupava a Pérsia e que nunca se sujeitou ao poder de Roma. É provável que Tomé tenha pregado o Evangelho na Índia, onde São Francisco Xavier ainda no século XVI encontrou vestígios da Igreja ali fundada pelo santo Apóstolo. Julga-se que São Tomé tenha morrido mártir pela fé.
A arte cristã apresenta São Tomé com uma lança, instrumento do seu martírio. Foi a lança que o uniu para sempre ao divino Mestre, em cujo lado, aberto pela lança, o Apóstolo pusera a mão. Artistas há que o apresentam com um esquadro na mão, querendo assim simbolizar ou retidão e sinceridade do caráter do grande Apóstolo, ou, como também se explica referindo-se a uma lenda que diz, o Apóstolo ter sido enviado como arquiteto a um rei nas Índias.
- Seus despojos repousaram primeiro em Edessa, depois foram transportados para Ortona, Itália central.
REFLEXÃO
Jesus chama a Tomé de incrédulo, porque este negara a fé a um único artigo – a Ressurreição de Jesus Cristo. É certo que a pessoa que rejeita ou põe em dúvida um só artigo da fé não é mais católico. O católico deve confessar todos os artigos do Credo, por mais insignificantes que lhe pareçam. Deus é infalível também nas coisas pequenas. Negar um ou outro artigo da fé é dizer: Deus errou ou foi enganado; ou então: Deus não é verdadeiro; ensina-nos coisas erradas. Pouco importa agora, se o artigo em questão é de importância ou não.
Dizer que Deus se enganou ou quis enganar em coisas leves, é ofendê-lo mais do que lhe atribuir erro em matéria grave. O católico que nega uma verdade da fé, torna-se como Tomé, incrédulo; é desobediente, como aquele observa nove mandamentos da lei de Deus, desprezando um. Aos incrédulos acontecerá o que Jesus Cristo disse: "Quem não acreditar ao Filho, não verá a vida e sobre ele ficará a ira de Deus” (Jo 3, 36).
Fonte: site O Santo do Dia
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