Xico Lopes É mesmo necessário que o Brasil comece a ver Cabo Verde e os demais países lusófonos na África, como parceiros privilegiados em suas relações comerciais. Não apenas de olho no mercado europeu, ou o americano, como está mencionado no artigo, mas pelo próprio potencial que o mercado africano apresenta.

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Celso Amorim (www.inforel.org/fotoNoticia/amorim.jpg)

O Brasil considera que Cabo Verde pode ser uma porta de entrada dos seus produtos no mercado africano, mas também em países europeus, defendeu nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Amorim, que hoje visitou o arquipélago, entende que Cabo Verde poderia ser também um “ponto central de comunicação” entre a América do Sul, África e Europa. Deslocar empresas brasileiras para Cabo Verde seria uma oportunidade para chegar a mercados do continente africano, mas também “uma oportunidade para chegar a países desenvolvidos (Europa) onde Cabo Verde goza de preferência e o Brasil não tem essa facilidade”, disse.

Celso Amorim falava após um encontro com o seu colega cabo-verdiano, Victor Borges, no âmbito da visita de um dia a Cabo Verde, durante a qual inaugurou na capital do país um Centro de Estudos Brasileiros e um Centro de Formação.

Os dois ministros assinaram também um memorando de entendimento, segundo o qual Brasília e Cidade da Praia se comprometem a manter reuniões periódicas para debater e programar a cooperação para o desenvolvimento, o diálogo político e a cooperação econômica e empresarial, explicou Victor Borges. Celso Amorim e Victor Borges assinaram também protocolos de cooperação para a criação de um Banco de Leite Materno em Cabo Verde, e para apoio à área dos cuidados de Saúde primários, ao Instituto de Emprego e Formação Profissional do arquipélago e à formação dos trabalhadores do hoje inaugurado Centro de Formação Profissional da Praia.

Com os dois ministros frisando a excelência das relações entre Cabo Verde e Brasil, com o país africano expressando mais uma vez mais o apoio ao Brasil na sua pretensão em fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, foi a posição geoestratégica do arquipélago e as potencialidades daí decorrentes que mais foi focada nas intervenções de Celso Amorim e Victor Borges.

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“O deslocamento de atividades econômicas para Cabo Verde, por parte do Brasil” poderia aproveitar o mercado local mas também o da CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) e de “outros mercados”, disse Victor Borges. Palavras no mesmo sentido de Celso Amorim, que salientou que “os brasileiros começaram a despertar para a importância de Cabo Verde, em função do seu mercado, mas também como hub para África, Europa e até Estados Unidos”. Não descartando o interesse dos dois países em cooperarem em matéria de defesa, principalmente na luta contra o tráfico de drogas, Celso Amorim defendeu que Cabo Verde poderia até servir de plataforma para as grandes linhas aéreas e comerciais entre a América e África e Europa. “Se houver um planejamento estratégico, pode ser possível fazer de Cabo Verde um ponto central de comunicação” entre os três continentes, defendeu o ministro brasileiro, salientando que o país tem um intenso comércio com a África, por exemplo com o Senegal ou o Gana, mas que “as ligações aéreas são muito precárias, para já não falar das marítimas”.

Celso Amorim visitou a Cidade da Praia pela primeira vez, vindo de uma viagem por Argélia, Marrocos e Tunísia, países com os quais o Brasil “tem relações solidificadas”.“Se considerássemos a África como um país seria o nosso quarto maior parceiro comercial, atrás dos Estados Unidos, Argentina e China”, disse Celso Amorim. O ministro brasileiro encontrou-se também com o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, e com o presidente da República, Pedro Pires.

Fonte: Ag. Lusa

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