073|Nepal agora é República
Na verdade a estabilidade da monarquia nepalesa de há muito havia se acabado, é como se diz: “tinham esquecido de avisar que já estava morta” e não deixa saudades. Por anos seguidos o país conviveu com uma guerrilha, que agora se vê representada na Assembléia Constituinte (o Partido Comunista do Nepal - de orientação maoísta). Não creio que o regime republicano torne a vida melhor para o povo nepalês.
O rei do Nepal tem 15 dias para deixar o palácio real. A decisão foi tomada nesta quarta-feira(28) logo após o Parlamento votar pela abolição da Monarquia após 240 anos e estabelecer a República. Segundo autoridades, o rei Gyanendra e a família dele têm duas semanas para deixar a residência, que será transformada em museu nacional, em Katmandu. A decisão do fim da monarquia deu-se por 560 votos a favor contra quatro, todos representantes do partido monárquico.
Explosões
Quatro pessoas ficaram feridas após duas explosões ocorridas nas proximidades do edifício no qual está sendo realizada a primeira sessão da Assembléia Constituinte do Nepal. Um dos feridos foi um oficial de segurança, disse uma fonte policial à Agência Nepalnews.
Multidão se junta perto do Parlamento, em Kathmandu (Foto: Gopal Chitrakar/Reuters)
Nos arredores da sede da Assembléia se reuniram durante o dia milhares de pessoas para celebrar a abolição da monarquia. No entanto, o começo da primeira sessão da Câmara foi adiado várias vezes ao longo do dia enquanto os principais partidos finalizam um acordo sobre como será a nova República.
Os três principais partidos da Assembléia decidiram instaurar no país a figura do presidente, embora seus poderes ainda precisem ser determinados. “Continuam as conversas sobre quais serão os poderes do presidente”, disse o líder do Partido Comunista do Nepal-Maoísta, o ex-guerrilheiro Pushpa Kamal Dahal, conhecido como “Prachanda”. Os ex-guerrilheiros venceram as eleições de 10 de abril no Nepal, e obtiveram 220 das 601 cadeiras da nova Constituinte. Os maoístas defenderam, em suas negociações com as outras forças políticas do país, que o futuro primeiro-ministro, posto ao qual Prachanda aspira, tenha o poder executivo e seja também o chefe do Estado.
Divergência
Os principais partidos, signatários do acordo de paz de novembro de 2006, ainda mantêm sérias divergências em vários pontos.
Um deles é a possibilidade de cassação do governo por parte da Assembléia: os maoístas querem que o Executivo só possa ser derrubado com o voto de dois terços dos parlamentares, enquanto as outras legendas preferem uma maioria simples.
“Caso o governo possa ser derrubado com uma maioria simples, o foco estará mais em formar e tirar o governo do que em preparar a nova Constituição, a tarefa principal da nova Assembléia”, advertiu Prachanda. Embora se trate de uma Constituinte, a Assembléia nepalesa servirá como um Parlamento interino e se encarregará de escolher o novo governo.
Os partidos prevêem que a Assembléia precisará de dois anos para redigir e aprovar a nova Carta Magna.
Para saber mais sobre o Nepal: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nepal
Fonte: G1 com agências internacionais
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