Olhar Global Ainda que tenhamos algumas divergências quanto a posicionamentos da ex-ministra, não podemos negar que Marina Silva é uma pessoa íntegra e bem intecionada, peocupada realmente com o meio ambiente. Já há algum tempo, o Blogvisão/Visão Global/Olhar Global, havia escrito que a então ministra parecia um cordeiro em meio a alcatéia. Não deu outra. Ela já havia se desentendido com o Ministro da Agricultura e sempre teve um relacionamento difícil com Dilma Roussef.

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(imagem: http://malinche.files.wordpress.com/2007/02/marinasilva2904brazil3.jpg)

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão do cargo nesta terça-feira. Marina entregou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde expõe os motivos para deixar o governo. Segundo uma assessora da ministra, o pedido é em caráter irrevogável. Os motivos não foram divulgados oficialmente, mas a interferência do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, na área de meio ambiente foi uma das razões. Lula deu a Mangabeira Unger a coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS), que reúne uma série de ações na região.

Segundo o colunista Ricardo Noblat, deixaram de ser anunciadas na quinta-feira da semana passada pelo governo as metas do plano combinadas antes por Marina, Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, e Lula. Este ano, em um giro pela Amazônia, Mangabeira causou polêmica ao defender a construção de um aqueduto para levar água do Nordeste para a região. Ainda segundo o colunista, Marina concluiu que fora desprestigiada por Lula e que chegara a hora de desembarcar do governo. Um dia antes, durante a Conferência Nacional do Meio Ambiente, em Brasília, ela tinha sido aclamada pela platéia aos gritos de “Marina, presidente”.

Disputa com Dilma em torno da licença do Rio Madeira

Marina já enfrentara outras brigas no governo. A principal delas foi com a ministra Dilma, em torno da demora para liberação das licenças ambientais para obras no rio Madeira, em Rondônia. Na época, a ministra do Meio Ambiente também chegou a ameaçar deixar o governo por estar sofrendo pressões. O Meio Ambiente foi considerado um dos entraves ao crescimento econômico, por causa do rigor na liberação de licenças pelo Ibama. Enfraquecida pelo embate com a Casa Civil, a ministra chegou a dizer, em dezembro de 2006, que não mudaria sua gestão para ficar no governo: “Perco o pescoço, mas não perco o juízo.” 

Ex-seringueira, foi a primeira ministra anunciada por Lula

Primeira ministra anunciada pelo presidente Lula em 2002, a ex-seringueira Marina Silva ajudou o governo a sofrer menos pressões internacionais para preservação da Amazônia. Mesmo assim, ganhou adversários no Planalto. Fundadora da CUT no Acre, nos anos 80, ao lado do ambientalista Chico Mendes, Marina Silva foi taxada de xiita e se defendeu. Alegou que na administração dela aumentaram a qualidade do trabalho de licenciamento e o número de concessões liberadas. Símbolo de conduta ética e de luta pela ecologia, a senadora mais votada do Acre não concorda que o preço do desenvolvimento seja a derrubada de florestas. Defensora de uma economia que não destrua o meio ambiente, Marina Silva se negou a abrir mão dos princípios.

Demissão de Marina fará Sibá Machado perder vaga no Senado

Com a saída de Marina do ministério, o suplente de senador Sibá Machado (PT-AC) deixará a vaga que ocupa no Senado. O petista, que ganhou visibilidade na época do escândalo de Renan Calheiros (PMDB-AL), quando foi presidente do Conselho de Ética e renunciou ao posto em meio à crise, ocupava a vaga de Marina desde 2003. Sibá contou na tarde desta terça que recebeu uma rápida ligação de Marina com a notícia da demissão às 13h30, mas ela não explicou por que estava saindo. Ele afirmou acreditar que a decisão deve ter sido de foro íntimo e discordou da possibilidade de divergências com Dilma Rousseff (Casa Civil). O senador rebateu as perguntas de que Marina teria tomado a decisão por críticas a sua relação com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

- O trabalho da ministra ajudou a acelerar o PAC. Não há divergências com a Dilma, pelo contrário - disse. O suplente afirmou que sairá do cargo assim que a demissão de Marina for publicada no Diário Oficial da União: - Meu futuro a Deus pertence. Volto para minhas atividades normais - disse Sibá, revelando que retomará um mestrado (”misto entre economia e geografia”) e procurará trabalho.

Os embates de Marina Silva

O Meio Ambiente foi considerado um dos entraves ao crescimento econômico, por causa do rigor na liberação de licenças pelo Ibama. Choveram reclamações de todos os lados - de empresários a colegas de Ministério - especialmente a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O Planalto, avaliava que ela e o Ibama precisariam ter uma atuação menos fundamentalista para continuar no governo.

Exatamente por causa desse seu estilo, Marina chegou a ser desautorizada por Lula em janeiro. Depois de Marina ter considerado alarmantes os números do desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lula criticou publicamente a ministra e disse que não considerava os dados tão graves. - O que aconteceu… não sou comunicador, posso estar errado, mas você vai ao médico detectar que está com um tumorzinho aqui e, em vez de fazer biópsia e saber como vai tratar, você já sai dizendo que estava com câncer - comparara o presidente.

Marina, por sua vez, atribuíra a responsabilidade pelo desmatamento aos grandes agricultores e pecuaristas, que teriam sido motivados pelo aumento do preço das commodities. A declaração a colocou em choque com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). O governador, dono de fazendas na região onde foi detectado desmatamento, contestara publicamente os dados do Inpe. Já o ministro, dizia que a soja não poderia ser responsabilizada pelas taxas de desmatamentos.

Eleita em 1994, aos 36 anos, a mais jovem senadora da história da República, Marina nasceu em Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco (AC). Alfabetizou-se pelo antigo Mobral, fez supletivo e aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Em 1985 filiou-se ao PT. Participou de Comunidades Eclesiais da Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros.

Nas eleições municipais de 1888, foi a vereadora mais votada em Rio Branco e conquistou a única vaga da esquerda na Câmara Municipal. Dois anos depois, foi eleita a deputada estadual mais votada.

No Senado, foi vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais e membro titular da Comissão de Educação. Ainda foi vice-presidente da Comissão Especial do Congresso de Combate à Pobreza, criada por proposta de sua autoria.

Marina aguentou desaforo e falava sozinha (por Míriam Leitão)

Encontrar razões para explicar a saída da ministra Marina Silva é fácil. A ministra Marina Silva foi desrespeitada várias vezes, perdeu inumeras brigas dentro do governo, e viu nos últimos meses o desmatamento voltar a crescer.

Esta semana foi divulgado o Plano Amazônia Sustentável que tinha muito mais espaço para as obras do PAC do que para qualquer projeto concreto para proteger a Amazônia da pressão que estes projetos representam. Entre os vários desaforos que ela engoliu está a viagem espalhafatosa do ministro Mangabeira Unger a Amazonia com a autorização de fazer um planejamento para a região.  Assunto que ele mostrou não dominar.

A política industrial fala de tudo, mas não tem nenhum incentivo ou exigência para que as empresas contempladas respeitam regras mínimas de sustentabilidade. Enfim, esse assunto está alheio completamente do atual governo. Ela estava falando sozinha.

Ela mesma havia dito que perdia o pescoço mas não perdia o juizo. Pode ter achado que ficar era definitivamente perder o juizo, num governo que nunca deu de fato importância para o meio ambiente.
A saída de Marina Silva enfraquece o governo Lula. Ela é um ícone e por isso a saída será vista - aqui e lá fora - como mais uma vitória do grupo que acha que meio ambiente é barreira ao desenvolvimento.

Fonte: Fernanda Krakovics - da coluna Panorama Político; Míriam Leitão, Ricardo Noblat; Adriana Vasconcelos - O Globo; O Globo Online; Globonews TV

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