019|A Ilha dos Escravos

Xico Lopes on 06/05/2008

A ILHA DOS ESCRAVOS

História e ficção combinam-se neste enredo ambicioso. Em meados do século XIX, poucos anos após o final da guerra civil entre liberais e absolutistas, um grupo de oficiais partidários de D. Miguel que haviam sido rebaixados e desterrados para Cabo Verde, sublevou-se na cidade da Praia e tentou utilizar os escravos como exército, acenando-lhes com a liberdade. A sublevação falhou e os mentores foram fuzilados.

Em 1856, algum tempo depois deste episódio esquecido pela História, o juiz português José Evaristo de Almeida escreveu o romance O Escravo, sobre a paixão impossível de um escravo cabo-verdiano pela sua senhora. Esta ficção ao gosto melodramático da época e aquele fato histórico foram combinados pelo realizador português Francisco Manso (O Testamento do Senhor Napumoceno) no filme A Ilha dos Escravos, escrito por António Torrado.

Co-produção entre Portugal, Brasil, Espanha e Cabo Verde, A Ilha dos Escravos teve filmagens em Portugal, Brasil e Cabo Verde, com um orçamento emtorno de dois milhões de euros. Além do cinema, A Ilha dos Escravos terá uma versão em três episódios para televisão, a ser transmitida pela RTP. Interpretado por Diogo Infante, Vanessa Giácomo, Ângelo Torres, Milton Gonçalves, João Lagarto, Francisco Assis, Zezé Mota e Vítor Norte, o filme conta a história de Albano Lopes (Infante), que chega a Cabo Verde supostamente para instalar um negócio, mas na realidade para fomentar a rebelião miguelista, aliado ao tenente Boaventura (Lagarto). Albano alicia para o seu plano Tesoura (Gonçalves), um negro liberto, proprietário de um próspero comércio e com influência sobre os escravos, mas apaixona-se por Maria (Giácomo), filha do mais rico fazendeiro do arquipélago, que é amada em segredo pelo escravo João (Torres).

Francisco Manso defende que “além de serem possíveis, são do maior interesse para todos”, produções lusófonas como A Ilha dos Escravos. “Nós queixamo-nos muito que o cinema português não sai de Portugal, e que a língua inglesa domina tudo. Ora nós temos muitas histórias para contar, o problema é como poder chegar a produzi-las. Havendo pontos de interesse, histórias que digam também respeito aos países lusófonos, faz todo o sentido que eles participem e haja apoios financeiros dos diversos institutos de cinema e até de empresas privadas para concretizar esses filmes. É do interesse de todos nós.”

Por não haver cinemas em Cabo Verde, A Ilha dos Escravos irá ser mostrado no Auditório Nacional local. O filme será em breve apresentado ao público no Brasil, no estado de Alagoas, onde foi parcialmente rodado, e depois terá exibições no Rio de Janeiro e em São Paulo, estando a ser planejada a divulgação comercial neste país co-produtor. Foi também garantida distribuição na Argentina.

Francisco Manso tem pronto O Último Condenado à Morte, sobre Francisco Matos Lobo, o derradeiro condenado à morte em Portugal. E espera estrear antes do fim do ano Assalto ao Santa Maria, que recria o desvio do paquete de luxo por Henrique Galvão em 1961, e se encontra em fase de pós-produção. Duas histórias portuguesas, “dois grandes temas, e muito cinematográficos”. Bem ao gosto do realizador.

Fonte: DN Online

Olhar GlobalO blog Olhar Global, como em ocasiões anteriores, parabeniza iniciativas que promovam o fortalecimento da comunidade lusófona, especialmente as voltadas para a cultura, para a arte.

 

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